Ética de ocasião: a súbita crise moral da elite contra o STF

Rufem os tambores da moralidade seletiva! Eis que surge, diretamente dos salões iluministas da Faria Lima, uma revolta ética — e o Supremo Tribunal Federal, vejam só, é o novo vilão da temporada. O alvo da vez? Alexandre de Moraes, claro. Não pelo que o acusam de ter feito, mas pelo que já fez e simboliza: um freio incômodo no ímpeto destrutivo do bolsonarismo e nas manobras do centrão e seus financiadores.

Tudo começou com uma matéria publicada por Malu Gaspar, em O Globo, baseada em “fontes anônimas” e nenhuma prova concreta. A denúncia: Moraes teria pressionado o Banco Central em favor do Banco Master, que, por sua vez, tem contrato milionário com o escritório da esposa do ministro. Malu, vale lembrar, não é exatamente uma novata nesse tipo de narrativa: sua relação simbiótica com os vazamentos lavajatistas e com a fábrica de delações sem comprovação já é conhecida do público — ou deveria ser.

A imprensa tradicional, aquela que jurava ter aposentado os tribunais da moral lavajatista, reaparece indignada. Manchetes aos berros, editoriais com tremores de virtude e um novo escândalo para chamar de seu: R$ 129 milhões em contratos entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro. Um valor, digamos, modesto, considerando que a Faria Lima não levanta a sobrancelha por menos de meio bilhão.

Mas agora é diferente. Agora vale a pena parecer escandalizado. A ética — desaparecida desde o PowerPoint de Deltan — resolveu voltar das férias. E foi direto pra redação da Folha e do Estadão. Porque se tem algo que esses bastiões da seriedade nunca fizeram........

© Brasil 247