Um voto pela democracia: contra o ódio e contra a barbárie |
“É preciso sair da ilha para ver a ilha.” José Saramago
“É preciso sair da ilha para ver a ilha.”
Na primeira vez que andei de avião, eu já era adulto e estava me formando em Direito. Foi para a festa de casamento de uma prima em São Paulo. Lembro-me de que fizeram uma venda de pedacinhos da gravata do noivo para os convidados e, com a arrecadação, pagaram minha passagem. O engraçado foi que eu voei de Varig, que tinha um serviço excepcional, e, quando passou o carrinho cheio de bebidas e guloseimas, eu agradeci à aeromoça. Devo ter feito uma cara pidona porque o senhor que estava ao meu lado, quando me viu recusar, falou baixinho: “Está tudo incluído, pode pegar o que quiser!”. Imediatamente, dei um assobio alto e a aeromoça voltou e, claro, entupi-me de cervejas e sanduíches. A festa foi muito divertida e alegre.
Recordo-me disso, tantos anos depois, com uma saudade apertada de um tempo em que a sociedade não era dividida pelo ódio. Você ia a um encontro de família e, mesmo com todas as diferenças, sabia que seria uma confraternização de amor e carinho. Não existia a hipótese de encontrar uma divisão, uma agressão, ainda que velada, ou uma animosidade decorrente de um posicionamento político ou comportamental diferente. As pessoas se respeitavam e o ódio não fazia parte das nossas vidas.
O bolsonarismo fragmentou o país,........