A guerra eleitoral

Uma disputa eleitoral com a presencia de forças de extrema-direita antidemocrática não é apenas um antagonismo entre forças adversárias plurais, mas tem a dimensão de guerra na chave amigo/inimigo. Esta dimensão pressiona para que a disputa se defina entre dois polos, transformando as eleições em um confronto com alta intensidade de polarização.

A dimensão de guerra política é trazida para a cena eleitoral pela extrema-direita. Ela usa armas avessas à disputa democrática. Dissemina o ódio, usa a mentira sistemática, difunde as fake news e deepfakes como método, ataca as instituições da democracia, deslegitima o sistema eleitoral, promove ataque preventivo às urnas, abusa de recursos jurídicos infundados para criar uma suspeição generalizada contra as instituições, adota táticas de intimidação, assédios direcionados e ataques à imprensa, investe em manipulação psicológica digital, faz acusações mentirosas e criminalização dos adversários, propõe a supressão de seus adversários, corrói o sistema político com discurso antissistema.

Várias dessas armas estão sendo usadas pela campanha de Flávio Bolsonaro. As campanhas democráticas e progressistas ocorridas em vários países nos últimos tempos se mostram incapazes de enfrentar a guerra política com aramas de guerra política.

A mesma deficiência das forças democráticas e progressistas ocorre aqui no Brasil desde as eleições de 2018, quando a extrema-direita adquiriu força eleitoral com o bolsonarismo. Além de dispor de parcas armas para a guerra política, essas forças se comportam como se fossem representantes da razão, das Luzes, dos bem pensantes e dos bem viventes contra o uso brutal e ilimitados dos instrumentos e meios arrolados acima pela extrema-direita. A brutalidade se impõe na........

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