João Matos: 'The Last Dance' de um capitão eterno
Há momentos no desporto que nos obrigam a parar por instantes. Não porque algo termina, mas porque percebemos que estamos perante o fim de um percurso demasiado grande para ser medido apenas em títulos, números ou estatísticas. Há poucas horas, o Sporting CP anunciou, através das suas redes sociais, que o capitão João Matos irá encerrar a sua carreira profissional no final desta época. Quando esse dia chegar, o futsal português não estará apenas a despedir-se de um atleta extraordinário. Estará a despedir-se de um dos maiores capitães da história da modalidade.
Durante mais de duas décadas, João Matos representou aquilo que tantas vezes procuramos explicar quando falamos de liderança, mas que raramente conseguimos traduzir por palavras. No seu caso, a liderança nunca foi um discurso. Foi sempre um comportamento.
Formado no Sporting CP, tornou-se ao longo dos anos uma das figuras mais respeitadas do balneário leonino e da seleção nacional. Capitão de equipa, capitão de seleção, 12 campeonatos nacionais, 10 taças de Portugal, 6 taças da Liga, 10 Supertaças, bicampeão da Europa, campeão do mundo, campeão da finalíssima intercontinental, vencedor da Liga dos Campeões de futsal em 3 ocasiões. A lista de conquistas é longa, impressionante e histórica. Mas, curiosamente, talvez não seja aí que reside a sua maior dimensão.
João Matos nunca foi o jogador que mais procurou os holofotes. Na verdade, nunca precisou deles, até porque é algo que nem faz parte do seu ADN. A sua importância construiu-se naquilo que o jogo nem sempre mostra nas estatísticas: na organização defensiva, na leitura tática, na capacidade interpretar o contexto e de equilibrar uma equipa, na voz certa no momento certo dentro do balneário. Fundamentalmente, no exemplo e atitude.
Os grandes capitães não se distinguem apenas pelo que fazem com a bola nos pés. Distinguem-se pela forma como influenciam todos à sua volta. E poucos jogadores no futsal mundial conseguiram fazê-lo de forma tão consistente como o João Matos.
Há algo de raro na sua trajetória: atravessou diferentes gerações, diferentes treinadores, diferentes contextos competitivos e manteve sempre o mesmo traço identitário: compromisso absoluto com a equipa. Jogou ao lado de alguns dos maiores talentos do futsal mundial, viveu momentos de glória histórica para o Sporting e para........
