O desgoverno da palavra Açores
São nove ilhas a meio do Atlântico norte, que muito batalham pelo seu desenvolvimento, pela sua autonomia e pelo legítimo direito a serem tratadas com respeito e com equidade. Tem sido assim ao longo dos últimos 50 anos, celebrando justamente agora um estatuto que deve ser cada vez mais trabalhado e moldado por forma a garantir que este pedaço do território português, com características tão únicas quanto exigentes, evolui de modo sustentado e equilibrado.
A ultraperiferia tem destas coisas: fala-se muito da região açoriana nos media nacionais quando troveja, quando a terra treme, quando o mar galga ou quando a desgraça, qualquer que ela seja, bate à porta. Fala-se dos Açores pela elevada taxa de analfabetismo funcional, pelo tráfico de droga acima da média, pelo abandono escolar que importa combater.
Mas as nove ilhas do arquipélago lutam, também, pela sua emancipação cultural e desportiva, áreas em que os governos, transversalmente, quase só aparecem para tirar fotografias com as medalhas ou nas sessões de lançamento das capitais culturais (como acontece, este ano, com Ponta Delgada, a Capital Cultural portuguesa).
O desporto é um veículo de promoção e de estímulo como poucos outros, pela sua dimensão, pelo alcance transversal da sua mensagem ou pela capacidade de concitar unanimismos como, talvez, nenhuma outra atividade. Por isso, o estímulo financeiro garantido pelos sucessivos governos regionais açorianos aos principais emblemas e nomes do desporto regional, quando em compita nacional, pela utilização do nome do arquipélago nas suas atividades ou camisolas (a comummente chamada legislação da palavra Açores), surge como reflexo natural e absolutamente lógico do........
