Martínez, entre pepinos e tomates

Selecionar é decidir. É escolher entre múltiplas opções, e considerar imensas possibilidades. Para a fase final de um campeonato do Mundo, um selecionador nacional deverá sempre seguir as suas intuições, alicerçadas na capacidade de leitura, o mais ampla e abrangente possível, das realidades, das influências e dos momentos de cada jogador.

Ao longo de um ciclo — no caso de Portugal, entenda-se o período entre a vitória na Liga das Nações e o momento da convocação para o Mundial das Américas —, muito se altera, muitas das ideias sofrem evoluções positivas ou negativas.

Há uma perceção essencial, e em relação à qual nenhum de nós terá o completo entendimento: a do balneário, das reações, das pausas, dos movimentos, das motivações, das decisões.

Porque, embora subsista uma importante similitude entre clube e seleção (a de que a forma desportiva será sempre um fator imperativo), há um outro fator idêntico que o treinador tem de respeitar: o comportamento individual, a interação, a capacidade de integrar um coletivo, que apenas o tempo de balneário, os momentos em conjunto podem certificar e justificar.

Dito isto, entendo a defesa feita de António Silva, quando a imprudência da juventude do jogador do Benfica o fez filtrar informações classificadas para o exterior. Fez mal, esteve mal, terá sido repreendido por isso.

E exatamente por isso, não entendo que Roberto Martínez tenha agora vindo a terreiro falar desse momento em relação a Silva. Porque esse simples facto detona a suspeita de que terá sido o elemento essencial para a não convocação do defesa do Benfica para o........

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