A 'revolução Motsepe' |
África é, em quase tudo o que pudermos imaginar, um continente sui generis. Pelas suas gentes, tão distintas nas origens, tão diversas nos hábitos, mas também pela diversidade territorial que transforma terras africanas num permanente desafio de descoberta, de apuramento de sentidos e de desenvolvimento de competências pessoais, sociais e profissionais.
No desporto em geral, mas no futebol em particular, essa idiossincrasia única pode transformar-se em dificuldades ou oportunidades. Ao longo dos tempos, as primeiras têm ganho terreno, seja pela pouca visão de liderança partilhada, seja pelo fechamento em si próprios de alguns países, seja pelo êxodo de alguns dos seus mais destacados valores.
Porém, Patrice Motsepe trouxe ao futebol africano um olhar muito distinto, feito de visão estratégica e de aproveitamento das condições já existentes, por um lado, para potenciar a realização de competições que melhorem a imagem global do continente para o mundo, mas também de projetos de longo prazo, olhando grassroots, o setor de formação que, irónica e antagonicamente, tão frutuoso tem sido na libertação de grandes valores para o planeta futebol, como nefasto para os países que os produziram ao longo do tempo, pouco recompensados pela emanação de tanto talento.
O multimilionário sul-africano tem, justamente, essa grande vantagem: não precisa do futebol para subir a escada social, para se impor de algum modo, para mostrar poder ou para ser feliz. Aos 63 anos, e com um património líquido de quase quatro mil milhões de dólares........