Entre a competência e o ruído |
Há momentos em que vale a pena parar e olhar para o futebol português sem preconceitos e ensaiar algum distanciamento. O mercado de transferências do Sporting e a recente polémica em torno da arbitragem são dois bons exemplos de como, no nosso futebol, convivem duas realidades profundamente diferentes: a competência na gestão e o ruído permanente que continua a contaminar as instituições.
O Sporting sabe o que faz
Há uma diferença fundamental entre gastar e investir. E é precisamente essa diferença que explica por que razão o Sporting continua a afirmar-se como uma das instituições desportivas mais bem geridas do país e da Europa.
Neste mercado de transferências, Frederico Varandas voltou a demonstrar uma qualidade que distingue os bons dirigentes dos ocasionais: coerência. No Sporting não há decisões ditadas pela ansiedade, nem cedências à pressão mediática ou vendas feitas à primeira proposta financeiramente apelativa. Há uma estratégia definida e um princípio que já todos os grandes clubes europeus conhecem: quem quiser contratar os melhores jogadores do Sporting paga o valor que a SAD determina. Caso contrário, os jogadores permanecem em Alvalade.
Esta firmeza negocial não é um ato de teimosia. É uma demonstração de respeito pelo património do clube.
Também por isso causa alguma estranheza ouvir, uma vez mais, a velha narrativa de que o Sporting anda a gastar sem critério. Basta olhar para os números para perceber que essa ideia não resiste a cinco minutos de análise.
As vendas já concretizadas representam um encaixe imediato de cerca de 106,40 milhões de euros, enquanto o investimento realizado nas contratações ronda os 101,53 milhões. O saldo é positivo mesmo antes de se equacionarem eventuais........