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Guardiola contra Pep e vice-versa

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06.02.2026

Pep Guardiola ensinou-nos que o futebol é um sistema fechado, no qual cada passe tem o seu sentido, cada movimento não só uma causa, como também uma finalidade, e o golo é a consequência lógica de uma equação complexa. Talvez mesmo de uma ordem superior. Durante quase duas décadas, não foi apenas vencedor: foi hegemónico.

Hoje, embora nada nos garanta que, de um momento para o outro, não se possa voltar a agigantar e acumular títulos, o Manchester City tem demonstrado, nos últimos anos, ser uma equipa que já não acredita plenamente na ideia que o tornou quase imbatível no plano interno e grande favorito na Liga dos Campeões. Será este o princípio do fim do guardiolismo? Não, nada disso. À semelhança do que sucedeu com Cruijff, o legado de Guardiola não se esgotará no seu próprio percurso: prolonga-se nos discípulos que o replicam e o adaptam. E, de forma talvez mais irónica, alguns já aparecem em rivais de peso — do Arsenal ao PSG, do Bayern à restante elite europeia —, que passaram a falar a sua linguagem.

Guardiola, porém, poderá estar a ser engolido pelo monstro que ele próprio criou.

A sua quebra não é estatística nem imediata. É conceptual. E talvez tenha começado no momento em que o próprio treinador aceitou que o seu futebol, tal como o concebera no início, podia já não estar a ser suficiente.

A contratação de Erling Haaland é o primeiro grande sinal dessa inflexão. Não pela qualidade do avançado norueguês, um verdadeiro........

© A Bola