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Seleção: já sonhamos há tempo a mais

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05.06.2026

O Mundial. Vem aí o M-U-N-D-I-A-L. Fomos crianças e tudo era uma descoberta. Os cromos que colecionávamos, por vezes às escondidas, com o dinheiro do lanche, antecipavam o maior momento das nossas pequenas vidas. Pelo menos até que outros interesses se impusessem, vivíamos a sério apenas de quatro em quatro anos. De dois em dois, por vezes, porém os Europeus nunca foram a mesma coisa.

Era nessas figurinhas estáticas que descobríamos craques que nunca víramos. Só um ou outro, noite dentro, no Domingo Desportivo. Era com a caderneta ao lado, sentados como pequenos budas à frente do ecrã, que víamos os primeiros jogos. Era ainda de boca aberta que absorvíamos a bicicleta freestyle, saída de rampa imaginária, de um tal de Negrete ou, antes, a capitulação do favorito dos favoritos num sítio chamado Sarriá. O primeiro Maracanazo de que me lembro, ainda por cima bem longe do Rio. O futebol puxava-nos pelos colarinhos e gritava que não era lógico e a surpresa, mesmo para quem jogava, vinha acompanhada de um murro no estômago.

Hoje, sabemos tudo ou quase. É caro, muito caro, mas temos acesso aos campeonatos bons e até a alguns menos bons, disfarçados de algo de jeito. E a maior invenção também a descobrimos rapidamente: podemos viajar na quântica televisiva se não conseguimos ver antes. E repetir. Nada nos escapa, se quisermos. Já sabemos tudo sobre o terceiro guarda-redes e o avançado que não tem hipóteses, só lá está para fazer número. E, para arrancar o nosso espanto, agora o génio tem de nos fintar também a nós, antes de........

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