Rui Borges é saber com o que se conta

Não tenho uma relação fácil com Rui Borges, todavia dou sempre segundas oportunidades a quem parece boa pessoa para que me convença. Não gosto muito de tascas, nem de vinho, embora tolere uma ou outra cor, mas aceitarei uma cerveja, à frente de um pires com tremoços para ajudar a alimentar a conversa. E ele pode jogar em casa. Em Mirandela. Se o quiser.

Tem, o técnico, histórias para contar, feitos para lembrar, cicatrizes das quais se orgulhar, após tantas batalhas. Há uns anos, ainda não tinha chegado ao Vitória e já me fazia olhar duas vezes, à procura de algo especial. Bons trabalhos em contextos diferentes, com ideias concretas e resultados a provarem solidez. Havia ali qualquer coisa. Disse-o a uma ou duas pessoas, mesmo sabendo que a palavra mais importante no futebol não é momento, é sim contexto. E o contexto pode ser arrasador, mesmo diante o mais qualificado profissional do planeta.

Quando o Sporting lhe bateu à porta não estranhei. Lembro-me de ter pensado — porque não? O grau de exigência iria aumentar, ou seja, menos espaço para derrotas e empates, sendo que cada não-vitória, no ecossistema de um grande, é desaire. Um verdadeiro escândalo se for perante os mais fracos.

Rui Borges ia ainda ter de lidar com craques de uma dimensão com que dificilmente se terá cruzado antes. Como jogador ou treinador. Ainda mais orientá-los. Obrigá-los a trabalhar, a defender e a atacar. A dar-lhes instruções.

O risco foi grande. Se não convences o grupo, se não te fazes........

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