A geometria do talento
O Mundial ainda é só um conjunto de tendências, mas a FIFA entende que já dá para concluir qualquer coisinha. A primeira ideia lançada é que o extremo puro is no more, desapareceu, trocado pelo invertido, um punk anarquista que só quer saber do corredor interior para combinar ou rematar. Não é de hoje, já o era assim nas principais ligas e nos grandes encontros da Champions, mas não podemos esquecer a universalidade de um Mundial com 48 países, que carrega cada sentença com um forte sentido de aldeia global. E, no entanto, é preciso que alguém pise a linha para oferecer largura à sua equipa, porque o ouro passou a estar nos meios-espaços, um de cada lado, entre central e lateral. E porquê essa largura? Para que o lateral contrário seja atraído e se afaste do seu central, e se alargue precisamente esse canal para poder ser atacado. E aí o protagonista pode ser qualquer um, dependendo da sua posição em campo, desde que faça esse movimento vertical: um avançado, um médio, até o ala, se foi o extremo que fez de pivot pisando os limites do campo.
E por que razão o ouro passou a estar aí nesse meio-espaço? Porque quem entrar aí de bola dominada fica muito mais perto da baliza do que se corresse ao largo, o que dá de imediato outra contundência ao gesto de cruzar ou rematar.
A outra conclusão do Technical Study Group após as primeiras rondas fala da obsessão pela construção a três. A que mesmo a favorita França, depois de quase fracassar ao tentar sair apenas com os dois centrais, teve de........
