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O edifício que treme ao primeiro áudio

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saturday

Os maiores escândalos do futebol raramente começam com um penálti mal assinalado, um cartão vermelho ou resultado inesperado. Começam, muitas vezes, quando alguém grava o que não devia e, do outro lado, surgem as confissões daquelas que ficam encantados com o barulho da própria voz. A partir daí, a manipulação do conteúdo e a explosão do mesmo fazem o resto. Geram mais barulho, mas nada resolvem.

Foi isso que aconteceu, mais uma vez, esta semana. Não foram os áudios de Pedro Proença que abriram uma crise. A crise já existia. Os áudios apenas abriram a porta da sala onde ela vivia.

É por isso que a discussão nunca deveria limitar-se às frases, ao contexto ou às intenções de quem as pronunciou. Mais ainda quando não há contexto e apenas excertos de conversas editadas. Tudo isso terá naturalmente importância. Mas há uma pergunta muito mais desconfortável do que qualquer transcrição. Porque é que ninguém ficou verdadeiramente surpreendido?

Talvez porque, no fundo, o futebol português tenha desenvolvido uma estranha relação com a verdade. Em público, fala-se de instituições sólidas, competentes e estáveis. Em privado, as conversas são outras. Fala-se de fragilidades, de relações difíceis, de desconfiança, de erros repetidos, de estruturas que já não convencem sequer quem as dirige.

O problema nunca é apenas a existência de duas conversas. Todas as organizações têm uma linguagem pública e outra privada. O problema surge quando a distância entre ambas se torna........

© A Bola