'Olvidémonos de todo'
As grandes frases do futebol quase nunca explicam o jogo. Explicam aquilo que fazemos dele. A que Lionel Messi pronunciou no túnel, antes da Argentina entrar em campo para disputar a final contra a Espanha, parecia apenas um convite à serenidade, à concentração, ao velho princípio de que uma final não se joga com o ruído do mundo, joga-se apenas com a bola. Bastaram, porém, 120 minutos de impotência para que olvidémonos de todo deixasse de ser um conselho e passasse a ser uma prova. Ou aquilo que muitos desejavam que fosse uma prova. Talvez porque perder nunca seja apenas perder.
A Argentina de Scaloni não era apenas uma seleção. Era uma narrativa. O grupo que sobrevivia quando tudo parecia perdido. A equipa que encontrava uma resposta quando o futebol parecia já não oferecer nenhuma. Contra o Egito, contra a Inglaterra, tantas vezes durante este Mundial, parecia existir uma espécie de pacto invisível entre aqueles jogadores e o destino. Havia sempre mais uma corrida, mais um duelo, mais uma crença. E quando uma equipa vive demasiado tempo no território do extraordinário, o normal deixa de satisfazer. A derrota deixa de parecer possível.
Terá sido isso que aconteceu diante da Espanha? Perder contra a equipa de Luis de la Fuente não deveria constituir um escândalo. A La Roja dominou Portugal, anulou a França e repetiu a mesma superioridade com a Argentina. Controlou os espaços, a posse e o ritmo. Obrigou os campeões do Mundo a viver longe da baliza adversária. A Argentina fez o único remate apenas no prolongamento, sendo........
