Labaredas do infortúnio

NOTA: Em tempos publiquei algo semelhante num jornal local. Contudo, devido à importância que este fenómeno todos os anos se nos apoquenta e parece interminável a sua evidência, associei algumas alterações e deste modo permito-me publicar neste órgão de comunicação social nacional, e que muita honra me possibilita expor pública opinião, solicitando a devida reflexão a quem pode e deve atuar em conformidade.

I.— Entre sorrisos de fidalguia em tempos de festa, surge com frequência um estado lastimável dos continuados flagelos das chamas ilustradas por labaredas de infortúnio que deixam ao redor fumo, cinzas, terror, lágrimas, desconforto e medo, que nos vai queimando a alma.

Mas, mal aparece a notícia «entramos na época dos incêndios», a história repete-se, para não ser considerada engano!

Até mesmo os próprios comentários de que a área ardida até este momento em relação à anterior é inferior a uma determinada percentagem e abaixo da média dos últimos anos, para não fugir à regra, vai ajudando a pintar de luto as cores duma história apenas contada para os heróis da festança, que se revêm estimulados para o crime de incendiário, que, ou a troco de uns favores, ou pelo prazer em assistir ao espetáculo das chamas, ou outras razões de ordem passional, abrem o cofre aos figurões do costume e continuam a colocar Portugal em termos absolutos com a maior área ardida de todos os países da Europa. Acredito que os factos anotados para a causalidade de existirem altas temperaturas, vento, trovoada, etc., possam originar a propagação das chamas, mas o que as notícias nos vão confirmando, é que aparece com frequência a causa como humana do dito incendiário.

O que se nos apresenta em termos de informação é que à custa deste flagelo ambiental, muita gente vê engrossar o património económico: linhas de apoio para cobrir os prejuízos; vendas de produtos de combate; aluguer de aeronaves e outros meios de combate; madeireiros em contas de somar referente ao material ainda aproveitado, deixando o demais em abandono ( ver o........

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