Os tempos da (in)justiça

É verdade que a Justiça tem os seus tempos próprios, e há que respeitá-los, para ser conseguida uma sentença justa. Mas também é verdade que há casos, mais complexos, que consomem tempos impróprios, seja por expedientes dilatórios dos acusados, seja por insuficiência de meios, seja ainda pela burocracia tremenda que envolve os processos. Provavelmente, o «caso Sócrates» é o mais impactante, e aquele que coloca a nu as insuficiências do nosso sistema judicial; se houvesse, realmente, vontade de mudar, para melhor, o «Marquês» seria um bom ponto de partida…Falemos então do ‘Saco Azul’, processo que se arrastou durante uma década e que agora terminou com a absolvição do Sport Lisboa e Benfica e de todas as pessoas singulares nele envolvidas. Foi uma grande vitória para o Benfica? Evidentemente. Mas, ao mesmo tempo, quem foi o principal prejudicado, para não dizer, derrotado? Aquele que foi agora declarado inocente, que ao longo de dez anos sofreu danos reputacionais irreparáveis, viu criada à sua volta um clima de suspeição permanente, que abrangeu os mais diversos setores - económicos, financeiros e também desportivos - e gastou uma fortuna num ‘dream team’ de advogados que tiveram vencimento de causa. Se bem virmos, no ‘Saco Azul’, só o Benfica perdeu, porque quem decidiu levar o caso até à barra dos Tribunais, diluiu-se no anonimato, e o Estado, em situações similares, não procede a reparações. Se me perguntarem se acho mal que, perante dúvidas e pistas potencialmente incriminatórias, o caso tenha avançado, tenho de dizer, em tese, que não. Cada um faz o seu trabalho e o juiz decide. O que é intolerável é que tenham passado dez anos até à sentença, porque cada ano que passou foi um dano adicional causado ao Benfica. Poder-se-á falar em Justiça plena na absolvição do Benfica? Não, porque o clube da Luz somou prejuízos em todas as frentes, exceção feita à sentença. Haverá quem queira, mais do que refletir, tomar medidas para que o sistema seja mais expedito? Francamente, depois de tudo o que se tem visto, não creio. 

AINDA no âmbito da Justiça, desta vez na órbita da UEFA, foi tornada........

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