Ineficaz, anacrónica e desmiolada |
NÃO vou discutir o mérito da decisão de ordenar que o Benfica-Académico de Viseu se realizasse à porta fechada. Os tribunais não fazem as leis, aplicam-nas, e se queremos encontrar ‘responsáveis’ por esta medida devemos virar-nos para os legisladores.
Estes, ao estabelecerem como sanção o encerramento ao público dos estádios durante os eventos desportivos, prestaram um péssimo serviço, e colocaram-se contra a essência do futebol, que tem nos adeptos o alfa e o ómega. Quando determinaram esta medida não pensaram, ou, se o fizeram, não foram suficientemente profundos e maduros. Recorrer ao império do cimento e à ditadura do silêncio para resolver problemas disciplinares, não só não ajuda nada, como ainda cria uma sensação de revolta que tenderá a piorar a situação.Os adeptos, ‘lato sensu’, não têm culpa das ações de meia dúzia de energúmenos e não podem ser punidos todos pela mesma bitola. E, do que estamos a falar, é, a um tempo só, dos direitos dos adeptos e da essência do jogo, desvirtuado por uma legislação anacrónica, ineficaz e populista.
Peguemos no exemplo do Benfica-Académico de Viseu que trouxe ao Benfica, segundo a comunicação social, prejuízos na ordem dos 1,5 milhões de euros. Partindo do princípio de que os atos praticados, que levaram à sanção de se jogar à porta fechada, não........