A saudade de ser campeão
Conta-se — talvez seja verdade, talvez seja lenda — que o treinador André Villas-Boas recheou as paredes do balneário do FC Porto com fotos do Benfica campeão 2009/10. Sempre que se vestiam ou despiam, sempre que cruzavam aquelas paredes, os jogadores tinham de ver a festa da equipa do Benfica a erguer a taça de campeão. A mensagem de André Villas-Boas para os jogadores do FC Porto era muito clara: é isto que vocês querem voltar a ver esta época? Ou querem ser campeões?
André Villas-Boas inoculou nos músculos dos jogadores o vírus da vitória e do resgate. E foi isso mesmo que o jovem treinador chamou àquela época de 2010/11: a época do resgate. E como foi majestosa aquela época, coroada por um campeonato sem derrotas (o primeiro na história do FC Porto), uma Taça de Portugal e uma UEFA Europa League. O segundo triplete dos dragões, depois do de 2002/03. André Villas-Boas, que comandava uma equipa fabulosa, identificou com genialidade o ponto sensível do FC Porto: a exigência de superação, a rivalidade e o desafio.
Esta época, a história repetiu-se. Alimentámo-nos dessa rivalidade, do insulto perturbado e grosseiro, dos tropeções, das frustrações, dos desgostos sem fim, do ódio, do desprezo e da sublime natureza da nossa humilde condição de campeões.
Jorge Costa era uma figura imponente. Quando morreu, apagou-se uma luz. Com ele morreu uma energia vibrante, positiva, que tudo contagiava à sua volta. Jorge Costa não era apenas um ser humano, era sobretudo uma inspiração e um exemplo. Ele liderava como quem conduz e orienta. Faz muita falta a muita gente e ao FC Porto.
A morte do Jorge Costa deu-nos a força que se alimenta da vontade de retribuir o que não sabíamos que tínhamos recebido pelo exemplo e pela motivação.
O Jorge Costa, dizem, era uma pessoa diferente. Sobre ele,........
