Longa vida a Rui Borges

Podia começar esta crónica com a história do Patinho Feio, contudo, existe outra que me parece mais adequada. Encontrei-a por acaso, num livro que trouxe da África do Sul para os miúdos, e reza assim: era uma vez, numa aldeia onde todos viviam da agricultura, um menino muito franzino que passava a vida agarrado aos livros e mostrava pouca capacidade física para as tarefas pesadas que a vida na aldeia exigia. O pai, preocupado, insistia com o rapaz, mas ele pouco caso lhe fazia. Na verdade, quanto mais os habitantes da aldeia comentavam com preocupação o seu futuro, mais ele persistia no seu gosto pelos livros e na forma como tinha decidido viver. Passaram anos e, a certa altura, abateu-se sobre a aldeia uma seca sem precedentes. As ribeiras secaram, os poços baixaram tanto que os baldes batiam em pedra, o gado emagreceu e a terra tornou-se pó. Por muito que os agricultores fizessem, por mais que tentassem, a aldeia definhava. E foi aí que o menino dos livros decidiu intervir. Ao conselho de anciãos falou sobre os lençóis subterrâneos e sobre as linhas de água soterradas pelo tempo de que tinha tomado conhecimento nos livros que não largava. Contou-lhes que lera sobre um método antigo, agora esquecido, para encontrar água e pediu que o deixassem tentar. Sem outras opções, e sabendo que nada tinham a perder, os anciãos concordaram e, assim, o menino caminhou por dias observando plantas e tocando o solo. Com a ajuda de um grupo de rapazes, cavou onde ninguém cavaria e, um dia, a pá encontrou lama e depois água que subiu devagar, limpa e de forma persistente. Os animais voltaram a beber, as plantas voltaram a viver e a aldeia salvou-se. Ou melhor, o menino que preocupava o pai, e pelo qual muitos........

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