O respeito também se treina
«O futebol não educa apenas quando forma jogadores. Educa quando molda comportamentos. E são esses comportamentos, repetidos todos os dias, que acabam por definir a cultura futebolística de um país».
O exemplo continua a ser a ferramenta pedagógica mais poderosa que o futebol possui. Os jovens aprendem muito mais através daquilo que observam do que através daquilo que lhes dizemos. Quando um capitão aceita uma decisão difícil, quando um treinador controla as emoções num momento de maior tensão ou quando um dirigente comunica com equilíbrio, todos estão a educar. E essa educação é, muitas vezes, mais eficaz do que qualquer discurso.
Costuma dizer-se que o futebol é um espelho da sociedade. Talvez seja igualmente verdade que o futebol ajuda a moldá-la. Os comportamentos repetem-se, criam hábitos e moldam culturas. E são as culturas que distinguem os grandes sistemas desportivos.
Mais do que procurar culpados pelo que ainda não fazemos bem, importa aproveitar o exemplo deixado por este Mundial para refletir sobre o que podemos construir. Não se trata de comparar competições nem de estabelecer juízos de valor. Trata-se de perceber que existe um caminho capaz de elevar a qualidade do jogo e de fortalecer a credibilidade das instituições.
Portugal reúne todas as condições para dar esse passo. Possui treinadores reconhecidos internacionalmente, jogadores de enorme qualidade, dirigentes cada vez mais preparados e uma Federação que tem assumido um papel relevante na inovação e no desenvolvimento do futebol. Talvez o próximo desafio passe por olhar para a cultura competitiva com a mesma importância com que olhamos para a preparação técnica, tática e física.
Esse caminho pode começar na formação.........
