Contratar é fácil. Construir um plantel é outra coisa
O mercado de transferências mede-se em milhões. A construção de um plantel mede-se em coerência.
Durante semanas, acompanhámos entradas, saídas, negociações, rumores, valores e decisões tomadas até aos últimos minutos. O mercado fechou e começam imediatamente as avaliações. Quem contratou melhor? Quem gastou mais? Quem conseguiu aquele jogador que parecia impossível?
São perguntas legítimas. Mas talvez não sejam as mais importantes.
Porque contratar jogadores e construir um plantel são duas coisas muito diferentes.
Uma contratação pode entusiasmar adeptos, aumentar expectativas e alterar a perceção sobre a força de uma equipa. Mas um plantel não se constrói pela soma dos nomes que chegam. Constrói-se pela forma como esses jogadores se complementam, pela resposta que oferecem às necessidades do treinador e pela coerência entre aquilo que o clube pretende ser e as decisões que toma.
É aí que começa uma das tarefas mais exigentes de uma direção desportiva.
Antes de procurar jogadores, um clube deve saber exatamente aquilo que procura. Qual é a identidade da equipa? Como pretende jogar? Que características exige cada posição? Que jogadores já existem? Quem precisa de espaço para crescer? Que ativos devem ser valorizados? Qual é a margem financeira? E onde queremos estar daqui a dois ou três anos?
Sem respostas claras, o mercado facilmente se transforma numa sucessão de oportunidades.
E uma oportunidade de mercado nem sempre é uma oportunidade para o clube.
Há jogadores excelentes que podem ser contratações erradas. Porque não encaixam no modelo de jogo, porque ocupam o espaço de um jovem em quem o clube acredita, porque alteram a estrutura salarial ou porque chegam para uma posição já........
