A saúde oral também entra em campo
No desporto de alto rendimento, quase todos os detalhes são avaliados. Monitorizam-se cargas de treino, composição corporal, sono, nutrição, recuperação, risco de lesão e disponibilidade competitiva. Contudo, a saúde oral continua frequentemente ausente da avaliação integrada do atleta.
Esta omissão não é coerente com um modelo moderno de gestão da saúde e do desempenho. A boca não funciona isoladamente do restante organismo e uma doença oral não deixa de existir apenas porque o atleta não sente dor.
A Medicina Dentária Desportiva vai muito além da confeção de protetores bucais ou da resposta a um traumatismo durante uma competição. Inclui avaliação clínica, prevenção, tratamento, acompanhamento durante a época, educação para a saúde, gestão do risco nutricional, resposta a situações urgentes e articulação com os restantes profissionais que acompanham o atleta.
A cárie dentária, a inflamação gengival, o desgaste dentário, as infeções, a dor orofacial e os traumatismos podem afetar o conforto, a alimentação, o sono, a concentração e a disponibilidade para treinar ou competir. Isto não significa afirmar que o tratamento dentário melhora automaticamente o rendimento desportivo. Significa reconhecer que um atleta com dor, inflamação ou infeção não se encontra nas melhores condições possíveis de saúde.
Num estudo desenvolvido pelo nosso grupo e publicado na revista Scientific Reports, avaliámos 114 atletas de elite. Os resultados demonstraram que 55,1% apresentavam comprometimento periodontal, predominantemente gengivite, e 47,4% tinham cárie dentária. Mais de metade dos atletas apresentava dois ou mais achados orais em simultâneo.
Um dos resultados mais importantes foi a ausência de uma correspondência clara entre a condição clínica e a perceção dos próprios atletas. Muitos valorizavam a sua saúde oral e não referiam um impacto significativo na qualidade de vida, apesar de apresentarem doença identificada através da observação clínica.
Esta aparente contradição transmite uma mensagem relevante: a ausência de sintomas ou de uma queixa não é sinónimo de saúde. Esperar que um atleta........
