Unidade
1 — No contexto das suas críticas à política nacional durante o conturbado período pós-Revolução Liberal, Almeida Garrett consolidou a expressão «um povo que não se governa nem se deixa governar» atribuída em termos históricos a Júlio César, descrevendo os lusitanos aquando da conquista da Ibéria.
Esta frase encaixa-se-nos como uma luva. Como encaixa naquilo a que dediquei o meu último texto em que, sob o título «Haraquíri», nos procurei identificar as características das comunidades que conseguem ser os maiores inimigos de si próprias. Socorro-me aliás do elenco apresentado pelo excelente vitoriano, e meu amigo, José João Torrinha, que nos recordou que dos seis presidentes que conheceu, quatro demitiram-se a meio dos respetivos mandatos, um não se recandidatou após a descida de divisão e o outro saiu copiosamente derrotado nas urnas.
Desde a saída de Pimenta Machado, em 2004, o Vitória teve cinco presidentes e elegerá brevemente o sexto. Há aqui um padrão que nos deve fazer refletir muito seriamente. Porque se formos os maiores inimigos de nós próprios, será sobre nós que recairão as consequências dessa falta de estabilidade, ausência de projeto e de rumo.
Já agora, no mesmo intervalo de 22 anos, Benfica e FC Porto tiveram dois presidentes e o SC Braga apenas um. O Sporting teve seis presidentes, sendo que foi desde a consolidação da atual liderança, após 2018, que conseguiu obter as suas maiores conquistas. Isto explica muita coisa.
2 — Esta semana o universo........
