Marie-Louise abriu a porta, mas e quando a quiserem fechar?

A nomeação de Marie-Louise Eta para treinadora do Union Berlin lançou ondas de choque, orgulho, admiração, fez história ao ser a primeira mulher no cargo na Bundesliga. O clube despediu Steffen Baumgart e nomeou Eta, que já estava na estrutura do clube e se preparava para assumir o comando da equipa feminina.

Dois jogos e duas derrotas depois, frente a Wolfsburgo e Leipzig, o que se pensa? Muitos dirão… ‘agora despedi-la parece mal…’ Mas convenhamos, quanto trabalho terá ela conseguido fazer numa equipa que tem apenas 8 vitórias, sendo que na primeira semana teve a conferência de imprensa mais concorrida da época?

Vincent Kompany, treinador do Bayern, sublinhou uma nomeação que «abre portas», mas em entrevista ao site da Bundesliga, Marie-Louise quer ser tratada como apenas mais um profissional: «Quanto à minha posição, penso que é independente do género e deve centrar-se no desempenho. Seja homem ou mulher, não se trata de fazer uma afirmação, mas sim garantir que essa pessoa é a mais adequada para o cargo.»

A três jornadas do fim, a equipa continua aflita na classificação e vai defrontar Colónia, que também precisa de pontos, e Mainz e Augsburgo, mais confortáveis na tabela apesar de não terem vencido nesta jornada.

A aposta do Union foi tomada com prazo de validade, até final da época, mas verdadeiramente revolucionário seria oferecer já, sem manutenção assegurada, a chance de continuar a treinar a equipa masculina na próxima temporada. Aí sim, poderia ser julgada pelo desempenho e, eventualmente, despedida pela falta de mérito, como se faz com qualquer outro treinador. Portas que se abrem e fecham com naturalidade.


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