FC Porto: a revolução tranquila de Villas-Boas |
A mudança de comando no FC Porto constituiu muito mais do que a substituição de um presidente por outro. Representou uma alteração de paradigma que nunca por nunca poderia ter decorrido de forma fácil. Os primeiros tempos — e mesmo o clima da campanha eleitoral de abril de 2024 —fizeram temer cenários piores, porém, e a verdade é que o título nacional que os dragões vão recuperar nos próximos dias ou semanas encerra um primeiro ciclo que acabou por revelar-se tranquilo. Não sem dificuldades, não sem polémicas, mas mais tranquilo do que se poderia esperar.
Mesmo depois de uma primeira época bem abaixo dos níveis exigidos ao FC Porto, acabou por haver espaço e tempo, entre a massa crítica azul e branca, para se perceber que 40 anos têm mesmo muitos e largos dias, pelo que seria quase impossível aplicar imediatamente uma nova solução vencedora.
As primeiras escolhas de treinadores não foram as mais felizes, mas isso não fez André Villas-Boas desviar-se do caminho: queria um técnico com ideias fortes e definidas, mas ao mesmo tempo capaz de absorver um espírito muito próprio do clube, da cidade, dos adeptos. Absorver e contagiar o grupo. Acertou na mouche com Francesco Farioli.
Além do sucesso no futebol profissional — ao título principal juntou as meias-finais da Taça de Portugal e os quartos de final da UEFA Europa League —, há a registar a reabilitação financeira do clube e da SAD, ou pelo menos a fuga ao poço escuro em que as contas se encontravam. Só o médio prazo provará se os caminhos escolhidos foram os mais acertados, mas os efeitos a curto prazo — os mais importantes no horizonte portista — foram benéficos e mostram resultados.
Em paralelo, o FC Porto entrou a todo o gás no futebol feminino e já estará na final da Taça de Portugal frente ao Benfica. Bem sabemos que Portugal seria um País melhor com mais adeptos de outros clubes que não os grandes, mas a realidade é como é e neste contexto a variante da modalidade tem a ganhar com a inevitável maior mediatização desse jogo no Jamor.
Como, provavelmente, o futsal terá a ganhar quando o FC Porto se juntar aos velhos rivais na luta pelos títulos.
Há um senão nos dois anos de AVB: a forma como não conseguiu evitar picardias para lá do razoável com Frederico Varandas, nunca esquecendo que estamos, sempre, a falar de instituições maiores do que quaisquer pessoas.