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Estará o fascismo hoje na ordem do dia?

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09.11.2018

«Fascismo» tem sido um termo - por vezes afastado do conceito que ele representa - glosado e repetido em tempos recentes, sobretudo na sequência das vitórias eleitorais do Brexit, de Duterte, Trump e Bolsonaro, entre outros. Pondo também em causa os direitos humanos e as conquistas democráticas alcançadas desde o pós-II Guerra Mundial, chegaram igualmente ao poder da Hungria, Polónia, República Checa, Itália e da Áustria governantes de extrema-direita, xenófobos, racistas, anti-semitas, anti-migrantes homofóbicos e misóginos. Noutros países europeus, como são os casos da França, Holanda, Suécia e da Alemanha, o populismo de extrema-direita tem aumentado de forma preocupante o número dos seus votos. Muitos comparam esta onda iliberal com a vaga de ditaduras, de tipo autoritário, fascista ou nacional-socialista, que assombrou a Europa nos anos 30 e 40 do século XX.

Mas antes de ver porquê, deve-se lembrar que o conceito de fascismo - tal como o de totalitarismo - nasceu na Itália, onde Mussolini chegou ao poder após a "marcha sobre Roma" de 1922, e passou de movimento a um regime ditatorial de novo tipo. Em final de 1914, um grupo de nacionalistas, aos quais se juntou Benito Mussolini, inicialmente socialista, tentaram levar a Itália a entrar na I Guerra Mundial, criando o Fascio Rivoluzionario d'Azione Interventista. Oficialmente, o fascismo nasceu em Milão, em 23 de Março de 1919, num encontro de veteranos de guerra, sindicalistas intervencionistas e intelectuais futuristas que se juntaram para declarar a guerra ao socialismo, considerado inimigo do nacionalismo. Foi Mussolini, que ali se encontrava, que chamou ao seu movimento Fasci di Combattimento, ou "fraternidades de combate".

Este defendia uma agenda ao mesmo tempo nacionalista, de expansionismo da Itália nos Balcãs e em redor do Mediterrâneo, e radical, com algumas reivindicacões da esquerda. Curiosamente, quando o fascismo subiu ao poder na Itália, o termo começou por ser também utilizado pelos adversários de Mussolini, que se intitularam a eles próprios antifascistas. Após a II Guerra Mundial, por razões evidentes, o termo ficou com má fama, mas, mais tarde, nos anos 70 e 80, historiadores e politólogos usaram analiticamente o termo de fascismo para caracterizar num sentido genérico um conceito ideal-típico, ligado a ideologias, movimentos e regimes existentes em diversos países e períodos.

Procuraram assim detetar um "mínimo fascismo", isto é, condições mínimas que certo grupo ou regime político deve ter para ser considerado fascista. Por seu lado, Stanley G. Payne (Fascism: Comparison and Definition, 1980) elaborou uma lista de características identificadoras do fascismo, que incluía a criação de um Estado autoritário, um setor económico estatal forte, com uma política antiliberal,........

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