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A dança das cadeiras

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14.01.2018

1. O que é impressionante nos dias que correm é que tudo pode mudar de um dia para o outro. Em menos de um ano, as três potências europeias mudaram de lugar a uma velocidade incrível. O Reino Unido era uma das economias mais poderosas da Europa, a sua maior força militar e a ponte entre os dois lados do Atlântico. Hoje, está remetido a uma espécie de prateleira da história recente da União Europeia e ninguém sabe exactamente aquilo que o futuro lhe reserva. A França estava em plena “malaise”, incapaz de se reformar internamente, uma espécie de sombra da Alemanha, apenas para manter a ficção do eixo Paris-Berlim. A Alemanha era potência hegemónica, ainda que relutante, e Angela Merkel chegou a ser entronada como a líder do mundo livre (embora ela própria não aceitasse a designação), quando Obama saiu e Trump entrou na Casa Branca. Hoje, esta realidade evaporou-se. Nem vale a pena falar do Reino Unido. A França levou a cabo a mais profunda reconfiguração da sua paisagem política, elegeu um Presidente que rapidamente a colocou de novo no lugar que lhe é devido, sem qualquer cedência às modas populistas. As sondagens dizem que os franceses estão cada vez mais optimistas. O poder inquestionável de Merkel parece ter sido levado pelo vento, depois das eleições de Setembro. Nos quatro meses em que esteve a negociar um novo governo, a sua estrela perdeu o brilho. Emmanuel Macron teve a sua (merecida) oportunidade para ocupar o lugar deixado vago por Berlim e por Londres.

2. Talvez isto ajude a explicar algumas das surpresas do acordo de princípio entre a CDU/CSU da chanceler e o SPD para constituir o próximo governo alemão, pela terceira vez em modo de “grande coligação”. Falta ainda afinar os detalhes e clarificar melhor algumas........

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