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A inglória luta dos professores

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12.07.2018

A desvalorização, o desprestígio, a degradação e mesmo a humilhação dos professores tornou-se uma evidência para quem viveu a carreira e as lutas dos professores nos últimos 50 anos. O mal-estar docente e o burnout ganharam proporções não apenas preocupantes, mas também comprometedoras da saudável evolução da sociedade portuguesa. Sem educadores motivados e competentes não pode haver educação de qualidade.

Como foi possível chegar aqui? Porque é que os professores perderam prestígio e estatuto, em contraciclo com o aumento da escolaridade obrigatória, com a expansão do ensino superior, com a educação ao longo da vida, com uma população incomparavelmente mais escolarizada?

Salientaria três causas principais: 1) o Estado não soube gerir a massificação da educação e dos professores. O pós 25 de abril identificou bem a necessidade de mais escola para todos, mas não soube criar as condições para a melhoria da escola; 2) os sindicatos dos professores mais representativos, dirigidos por burocratas partidários, radicalizaram-se em torno dos partidos e conduziram as lutas dos professores para o campo das guerrilhas político-partidárias em vez de as centrarem na melhoria da qualidade da escola e da educação; 3) como consequência, as lutas dos professores estão hoje totalmente deslocalizadas e desfocalizadas dos objetivos centrais da educação, das escolas e dos próprios professores.

Para o Estado a filosofia é clara: para........

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