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Conservador e os poetas de karaoke

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09.11.2018

O conservadorismo é o instrumento político que falta ao centro-direita para se reposicionar como pendor do regime e conter o avanço do niilismo, no inverno em que o bom senso se suicidou na antecâmera dos extremismos.

Apesar disso, vai-se vendendo a patranha de que a única diferença entre a direita e a esquerda reside na balança que mede o peso do Estado na economia, em mais ou menos impostos. No resto, que não cabe numa folha de excel, ordena-se em nome da liberdade o mais sinistro dos consensos. Esta tese seria perfeita, ou não tivesse ignorado que há uma vasta pluralidade de formas de servir a liberdade.

O conservador ama a liberdade dentro da ordem natural das coisas, espontânea, experimentada, e posteriormente enraizada nas sociedades ocidentais como um fator identitário. Compreende que a evolução bem orientada que procura não acontecerá sem liberdades políticas, civis e económicas. Todavia, não as usa como ato de desresponsabilização, que rasga o compromisso com o legado que recebeu. Não encara a normatividade cultural, a educação, as convenções sociais, a família e a moral, como forças opressivas que violam os direitos individuais.

Se a liberdade não fosse enquadrada, o subjetivismo triunfaria, nada seria comum a todos, tudo seria válido e passaria a ser igual a tudo e igual a nada. É, pois, este argumento que permite simultaneamente a um conservador afirmar-se pela liberdade, mas não ser um liberal puro.

Ao mesmo tempo, o conservadorismo arrisca desmerecer-se se for exclusivamente capturado pela diletante disposição conservadora arvorada por Oakeshott. No mero posicionamento adequado à circunstância, incapaz de gerar um quadro de valores mentais que sirvam de guia coerente para a atuação política. Embora também seja isto, não pode ser só isto. Uma vez que o conservadorismo........

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