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Profundidade

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09.11.2018

A tecnologia e a inovação são componentes essenciais para o desenvolvimento económico e para a competitividade de um país. Esta afirmação é um lugar-comum, repetido até à exaustão por políticos, economistas e empresários. Porém, a verdade é que muitas tecnologias e muitas inovações são relativamente superficiais e não representam contribuições significativas e estruturantes para o desenvolvimento económico sustentado. Podem, no curto prazo, criar valor acrescentado, mas, no médio prazo, estão sujeitas à competição de outras empresas que facilmente copiam o modelo de negócio e lançam produtos e serviços concorrentes.

Quando se passa pelas centenas de expositores que preenchem os diversos pavilhões da Web Summit, onde são promovidos uma miríade de produtos e serviços, é inevitável ficar com a sensação que as tecnologias e a inovação lá apresentadas são, na sua grande maioria, superficiais. Existem centenas de expositores que promovem serviços e produtos semelhantes, sem qualquer carácter distintivo e com uma componente de inovação muito limitada. Existem também excepções, é certo, produtos e serviços profundamente inovadores e em alguns casos mesmo revolucionários, baseados em tecnologias complexas e surpreendentes. Por exemplo, no expositor de uma grande multinacional está em demonstração um produto em que uma câmara identifica as faces de cada pessoa na audiência, e indica o género e a idade (prevista) de cada uma dessas pessoas, assim como o seu estado de espírito. Algumas destas tecnologias levaram, em muitos casos, anos ou décadas a desenvolver, e correspondem a um grau de maturidade que é difícil ser reproduzido pela competição.

Em inglês, a designação “deep tech” (tecnologia profunda) é usada para referir tecnologias que, pela sua natureza, exigem um profundo domínio das ciências subjacentes e têm o potencial para causar........

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