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O país não mudou, mas alguma coisa chegou ao fim /premium

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22.06.2018

Há um ano, estávamos a ser confrontados com o resultado brutal de mais um fracasso do Estado e dos que o governam e vivem dele. O regime, porém, não se perturbou. Para que a ministra se demitisse, foram precisos mais umas dezenas de mortos em Outubro. O primeiro-ministro não foi capaz de pedir desculpa sem dar a entender, de propósito ou não, que o estava a fazer apenas para calar a oposição. Depois, as eleições autárquicas dissiparam tudo, e o mesmo grupo de amigos e de parentes que capturou o Estado há vinte e três anos pôde prosseguir como se nada tivesse acontecido. Só o presidente da república teve um gesto “drástico”, ao fazer depender a sua recandidatura da não repetição da tragédia. Um sinal dos tempos: a mais extraordinária atitude de um presidente desde que o general Eanes ameaçou resignar, aquando da revisão constitucional de 1982, não comoveu ninguém. Passou, como tudo........

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