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De direita e liberal, sem a vossa licença

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09.11.2018

Há um regime latente, instituído no pós-25 de Abril, que visou sempre confinar a discussão e os actores políticos àquilo que esse regime entende ser aceitável. Talvez como reacção ao Estado Novo, esse regime impunha e impõe um quadro ideológico dentro do qual é permitido pensar politicamente. «[…] abrir caminho para uma sociedade socialista», assim principia a nossa Constituição. Assim ficou registado o intento.

Gorado o sonho de instituir um regime socialista de jure em Portugal, sonho que termina a 25 de Novembro com a intervenção decisiva de grandes homens como Jaime Neves, esta era então a materialização possível do desejo de uma parte substancial dos revolucionários. Restava, assim, abolir a direita no plano puramente conceptual, no plano das ideias.

Não se tratava de abolir a direita autoritária, que essa já havia caído de podre, e dela só sobraram dois ou três saudosistas. O objectivo era mais amplo, englobava todos os que não perfilhassem da mesma visão vermelha e socialista. Mesmo dentro da esquerda tentava-se afiançar com sectarismo quem era o verdadeiro representante do marxismo, e os confrontos foram mais do que muitos. Num gesto de ironia que só a esquerda pode proporcionar, recordemos que Zeca Afonso, então próximo da LUAR, foi apupado por militantes do PCP quando foi a........

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