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Portugal não tem silly season – é todo ano silly /premium

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13.07.2018

“Nunca aprendemos nada. Se calhar foi pena termos pedido o resgate quando o pedimos. Mais um ou dois meses e falhavam os pagamentos aos funcionários públicos. Se isso tivesse acontecido talvez se tivesse aprendido de vez”.

Ouvi aqui há uns tempos este desabafo a alguém que não esconde o seu desencanto com o rumo do país. A alguém que conhece a diferença entre estar bem e parecer estar bem – ou seja, a diferença entre parecer ter as contas certas e ter uma economia capaz de sustentar as contas públicas.

Infelizmente vivemos num país de aparências, onde parecer é mais importante que ser. E onde há uma permanente penalização de quem procura falar sobre as dificuldades e um prémio de popularidade para quem promete facilidades.

Qual é o nosso problema? É que mesmo com todos os ventos a soprarem a nosso favor crescemos pouco. Este ano, de acordo com as previsões da Comissão Europeia, devemos ter o quinto crescimento mais baixo da União. Mais, e pior: Bruxelas prevê que a Lituânia, a Eslováquia e a Estónia ultrapassem Portugal em 2018 no que diz respeito à riqueza por habitante. O que significa que nos arriscamos a terminar este “ano de rosas e festejos” como o terceiro país mais pobre da zona euro, só à frente da Letónia e da Grécia. E a manter-se esta tendência não tardará muito que também a Hungria e a Polónia nos ultrapassem (em 2019 prevê-se que Portugal cresça 2%, contra 3,2% da Hungria e 3,7% da Polónia).

Se tivéssemos aprendido realmente alguma coisa com o que nos aconteceu em 2011, se uma boa parte do país não continuasse a pensar que os anos duros que se seguiram foram apenas fruto da teimosia “ideológica” de um governo de malandros, nunca teríamos tido um debate público dominado pela urgência das reversões, antes um debate focado no essencial – e o essencial é que, mesmo tendo voltado a crescer, Portugal cresce menos do que os outros e, sobretudo, cresce menos do que aquilo de que precisa para sustentar o nível de serviços públicos a que se habituou, serviços públicos que os políticos não param de prometer expandir ainda mais.

É este quadro que devíamos ter bem presente agora que começamos a........

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