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Infantilização, o (novo) ópio do povo /premium

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14.06.2018

Um dos elementos do nosso subdesenvolvimento pode resumir-se no uso do “eles”. “Foram “eles”, é por causa “deles”, “eles” é que têm a culpa. Ninguém se considera também responsável pelos seus próprios actos e ainda menos pelo destino do país ou por comportamentos que contribuem para o analfabetismo, a iliteracia ou ainda para aspectos tão simples como manter a sua rua limpa.

É uma pesada e profunda herança do Estado Novo. Que, para nos ter em ditadura, nos manteve analfabetos, desresponsabilizou-nos enquanto indivíduos e fez de nós iletrados cultural, social, económica e financeiramente. Com o apoio e cumplicidade das elites, elas própria também viciadas neste perfil de “povo”. Algumas dos raciocínios a que assistimos hoje e que são atribuídos à esquerda recordam dolorosamente essa política de infantilização, uma das receitas para dominar os povos.

Num retrato dos Açores em números sistematizado pela Pordata no âmbito das comemorações do 10 de Junho há dois indicadores especialmente chocantes. O primeiro é a taxa de abandono escolar (23%) mais do dobro do já de si negativo valor que se observa no país como um todo. Podemos obviamente ter a perspectiva do “copo meio cheio” e dizer que está a descer significativamente (em finais da década de 90 do século XX era superior a 50%). O outro indicador, indirectamente ligado ao anterior, é o que se refere........

© Observador