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Brexit, uma tragédia em vários atos

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13.07.2018

Eça de Queiroz descreveu Shakespeare como o maior criador de almas, capaz de retratar o “homem livre, colocado na livre natureza, entre as livres paixões.” Mas, se ainda fosse vivo, William Shakespeare teria dificuldade em retratar a sua nação orgulhosa no tempo presente, à beira de uma crise nacional que ameaça a sua identidade e lugar altivo na História.

Como poderíamos descrever a tragédia do Brexit, recorrendo às figuras imortais criadas pelos dramaturgos ingleses desde a Renascença, como John Webster, Christopher Marlowe ou Shakespeare, e que ainda hoje ilustram a natureza humana com toda a sua ferocidade?

Theresa May possui as qualidades de uma Duquesa de Malfi, criação de John Webster, uma duquesa viúva que ganha poder e independência. Ao recusar submeter-se ao papel imposto pela sociedade patriarcal, desencadeia a crueldade dos seus irmãos que a tentam manipular e levar à loucura. May está aprisionada nas garras de uma elite masculina iludida que a tem permanentemente colocado numa posição impossível para, no fim, a abandonar de forma cobarde. Continuar a ler

Boris Johnson entra no início da tragédia do Brexit como rei Lear. O rei que, num assomo de vaidade e arrogância, divide o seu reino........

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