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Entra o rico, sai o pobre…

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13.07.2018

Assistimos diariamente ao desenrolar de notícias sobre a “gentrificação” das cidades. Lisboa e Porto são os “piores” exemplos desta nova realidade, muito velha noutros países. Ruth Glass, uma socióloga inglesa, empregou o termo pela primeira vez em 1964 para ilustrar o início da deslocação dos aristocratas do campo inglês para Londres, onde se instalaram em bairros até aí habitados por classes sociais de menor poder económico. Já lá vão mais de 50 anos…

Por cá, a sociedade aponta culpados, os especuladores imobiliários e o turismo, e identifica vítimas: os habitantes da cidade e os jovens que aí se querem instalar. Estão-se a ir embora os vizinhos de sempre e, no seu lugar, vêm turistas e milionários que pagam 10.000 euros por metro quadrado em casinhas onde antes simpáticas velhinhas assavam sardinha no Santo António.

O Governo cedeu: reviu a Lei do Arrendamento proibindo o despejo dos inquilinos com mais de 65 anos. A Câmara de Lisboa, por seu lado, promete construir mais de 7.000 fogos para habitação jovem de renda controlada. Exatamente como em Amesterdão, Paris, e por aí fora. É aqui que o meu coração – que pulsa mais do lado esquerdo que do direito – resolveu investigar. Continuar a ler

Primeira constatação: em 2003, a cidade de Lisboa tinha 540.000 habitantes. Perdeu população de forma contínua, todos os anos, até atingir o mínimo de sempre, 475.000 habitantes em 2010, precisamente o ano em que chegou a troika. Em sete anos perdeu mais de 12% da sua........

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