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Brandos costumes

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12.02.2019

Em Portugal, apesar do constante queixume em que nos tornámos especialistas, gostamos de nos reconfortar com a sensação de que vivemos num país seguro. Ou melhor, com a ilusão de que Portugal é um país seguro.

Isto porque, apesar de o mais próximo que temos de terrorismo serem duas dúzias de acéfalos a invadirem um recinto desportivo e de os arrastões a la Copacabana serem tão raros que os media até aproveitam para os exagerar, vivemos num país com um problema grave e evidente de violência e insegurança, sob uma forma particularmente cruel e complexa que torna o meio familiar da vítima no palco destas agressões, ao invés de ser um porto seguro onde buscar abrigo.

Os números, apesar de não pintarem a imagem toda, são expressivos o suficiente: em menos de mês e meio morreram já nove mulheres vítimas de violência doméstica; o ano passado, o número de vítimas mortais subiu para 24, invertendo uma tendência decrescente que se verificava há quatro anos; desde 1992 a 2016, o relatório da APAV menciona mais de 260 mil crimes de violência doméstica, sendo que em 1997-98 estes nem foram contabilizados, dada uma moldura jurídica diferente.

Num país de dez milhões de pessoas, tido........

© Jornal Económico