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O bolsonarismo

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09.11.2018

O programa político que venceu as eleições no Brasil tem muito menos que ver com o combate à corrupção do que com a desactivação dos poderes públicos. Moro aceitar ser ministro da Justiça de Bolsonaro desrespeita a imparcialidade da justiça e mostra com descaro como esta tomou partido. Só falta demonstrar desde quando. Fica claro que o combate à corrupção no PT foi politicamente motivado, o que reforça a tese de golpe. Mas também claro fica que o combate à corrupção será, doravante, machado enterrado bem longe da vista.

A instrumentalização da justiça é gritante. Moro a ministro parece o prémio da justiça, mas nada mais errado: é sim a derrota institucional da justiça brasileira, deixada tão exposta como é deixado campo aberto para a invisibilização da corrupção. Para sermos absolutamente claros: é a própria Justiça brasileira, refém de um magistrado comprometido, que vai garantir o regresso da corrupção à invisibilidade de outros tempos, em que o estado de direito chegava a poucas partes do Brasil, seja da sociedade, tão desigual que chega a incapacitar o reconhecimento do outro como civilmente igual, seja do território, tão continental, na verdade, vastidão onde se quer repor a lei que diz “Aqui a lei sou eu”.

Pôr o estado de direito no seu lugar, acabar com o atrevimento de levar os seus valores a toda a sociedade, favelas incluídas, a todo o território, interior todo incluído, limpar o Brasil da acção do estado de direito, torná-lo letra morta, é este o programa do bom Jair Bolsonaro, Messias por nome do meio, que faz conferências de imprensa diante da garagem de sua casa, com vista para as lonas que cobrem bicicletas de garotos. Tanta simplicidade, como o direito às armas e a fazer-se justiça pelas próprias mãos… Não importa se o cidadão comum levará um tiro antes de pensar em disparar, desde que os senhores que vão tomar conta do território, da comunidade, da sociedade possam ocupar o lugar do estado de direito e dos poderes públicos.

Ficando lá na frente da sua garagem, o bom do capitão aposentado faz o serviço de estado à causa de acabar com a intromissão do estado, à revanche contra uma democracia que chegou à idade de Cristo. E aqueles que, enquanto Presidente, elege como principais adversários não são corruptos de espécie alguma, mas precisamente duas espécies de gente pouco dada à corrupção, sequer à ocasião para tanto: os activistas e os professores. Falemos dos dois casos, para o bolsonarismo bandidos do piorio, resta saber porquê.

Bolsonaro declarou no final do primeiro turno que ia pôr um ponto final ao activismo no Brasil. E a razão não é serem xiitas,........

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