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Justiça de esquerda e de direita

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13.07.2018

O apelo da esquerda portuguesa ao Supremo Tribunal de Justiça brasileiro para que decrete a libertação de Lula da Silva é um insulto aos portugueses por vários motivos, e nenhum tem a ver com a culpa ou inocência de Lula da Silva.

Em primeiro lugar, o desrespeito pela Justiça. Há dois meses, o Bloco de Esquerda indignava-se com o facto do processo do Vice-Presidente Manuel Vicente ter sido devolvido a Angola para que o responsável ali prestasse contas à Justiça, e criticava veementemente o que considerou serem “expressões de felicidade do Governo e do Presidente da República”.

Quem ouvisse Catarina Martins, pensaria – legitimamente – que o poder político não tem de se regozijar com este tipo de decisões porque pertencem à esfera judicial. Errado. Porque, afinal, o que aborreceu o Bloco não foi uma pseudo ingerência da política portuguesa na Justiça, mas sim o facto de estarmos a falar de Angola e da sugestão de um vergar de Portugal a questões económicas. Continuar a ler

Se fosse uma questão de independência da Justiça, não estaríamos a ver o Bloco, juntamente com os outros partidos de esquerda, a querer interferir despudoradamente na Justiça brasileira quando se dirige ao Supremo Tribunal Federal do Brasil, dizendo que a Lei não foi aplicada e que a prisão de Lula da Silva é política. A querer fazer política com a Justiça dos outros. De Estados que, até ver, vivem em democracia e num Estado de Direito.

Mas a falta de coerência que já é habitual no Bloco de Esquerda – ainda que nunca deixe de irritar – estende-se também ao PS. O PS que, no caso de Manuel Vicente, dizia à Justiça o........

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