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África do Sul e o legado de Mandela

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13.07.2018

Há alguns anos li a “Desgraça”, de J. M. Coetzee e fiquei com a sensação de que há uma história pós-apartheid, de violência, racismo, punição e expiação que ainda falta contar.

Poder-se-ia dizer que “Desgraça” é a estória do declínio de um homem branco, um professor universitário, um intelectual, na África do Sul. E seria verdade. Mas o que é verdadeiramente relevante, neste livro, é a imagem da violência racial que parece manter-se naquele país.

A violação da filha do professor Lurie não é um ato de violência de género. O ódio que ela vê nos rostos dos homens revela que eles “apenas” estão a cobrar aquilo que acham que têm direito. E fazem-no impunemente, não apenas porque as autoridades não são capazes de o impedir, mas porque parte da comunidade encobre os crimes. Há uma penitência para os brancos que querem viver na nação do arco-íris. E ninguém está dispensado de a pagar.

Mas se impressiona a atitude de parte da comunidade perante este “castigo” que alguns acham que têm direito a ditar, – em nome dos crimes, da violência racial e da supremacia branca que, durante séculos, foram impostos aos negros - é ainda mais impressionante a aceitação passiva dos brancos, especialmente, dos mais jovens. A........

© JM Madeira