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“A minha vida não é um filme pornográfico”

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14.06.2018

Imaginemos que cada vez que entrava numa casa de banho pública, num quarto de hotel, num balneário, numa piscina ou numa cabine de provas de roupa corria o risco de estar a ser filmada. E que essas mesmas imagens do seu corpo iam parar a sites de pornografia. O mesmo para imagens do seu rabo quando usa saia ou vestido, captadas por câmaras escondidas em sapatos. No metro, em cafés, lojas, estações de correios, na rua. Isto acontece frequentemente na Coreia do Sul e foram mais de 20 mil as mulheres que saíram à rua para dizer basta, naquela que é já considerada a maior manifestação feminina de que há memória no país. "A minha vida não é a tua pornografia", gritaram elas.

Na semana passada, mais de 270 mil pessoas assinaram uma petição que exigia ao Governo sul-coreano medidas concretas no que toca à investigação célere e igualitária destes casos. E usam a palavra igualitária porque esta petição surge precisamente depois da onda de indignação pública causada por uma mulher ter sido presa pouco menos de duas semanas depois de ter partilhado publicamente, e sem autorização, a foto de um colega que pousava nu para alunos de belas artes. A sua prisão foi amplamente reportada pelos media (que foram avisados pelas autoridades sobre o caso), e a cara da mulher saiu em todos os meios de imprensa em jeito de exemplo do que pode acontecer a quem fizer isto.

A indignação coletiva não passa pelo facto de a mulher ser punida pelo crime que cometeu, passa pelo facto de tal prontidão na prisão efetiva nunca ter acontecido com nenhum homem que tenha cometido tal crime. Tal........

© Expresso