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Trump legisla... e a caravana passa

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09.11.2018

Não se sabe quantos são. Ao todo poderão ser mais de dez mil, divididos em vários grupos que vêm crescendo com o tempo. Vêm das Honduras, de El Salvador e da Guatemala. Desde meados de outubro que são notícia de jornal porque rumam ao México, na intenção de, por aí, entrarem nos Estados Unidos da América. Fogem da fome e da violência. A caravana passa mas ninguém sabe como vai parar.

Donald Trump usou-os na campanha para as eleições intercalares que terminou esta terça-feira. Agitou o fantasma dos refugiados e até encontrou muçulmanos na caravana. Mas as eleições já lá vão e o Presidente dos Estados Unidos da América não desarmou: ontem, a Administração Trump produziu nova legislação com o objectivo de barrar a entrada dos numerosos grupos que no final da próxima semana começam a chegar à fronteira. Segundo a Reuters, foi ontem aprovada nova regulamentação que indifere os pedidos de asilo de todos os que entrarem ilegalmente nos EUA. Só quem atravessara fronteira nos postos oficiais de controlo poderá pedir asilo. Os defensores destes migrantes da América Central advogam que a medida é ela própria ilegal, pois segundo a lei americana não é permitido impedir o estatuto de exilado a quem foge da violência e da perseguição na sua pátria.

A longa caminhada dos hondurenhos tem conhecido episódios dramáticos desde o seu início. A travessia da fronteira da Guatemala registou alguns deles no passado dia 19 de outubro. Na ponte que separa essa país do México, caravanistas houve que se defrontaram com a polícia de choque mexicana , outros lançaram-se ao rio. Muitos dormiram essa noite na ponte.

Na terça-feira, um grupo chegou à Cidade do México. As autoridades ofereceram fruta e café e abrigaram-nos nas bancadas do Estádio de futebol Jesus Martinez. Eram dois mil. Mulheres e crianças dormem separadas dos homens.

As reportagens e os relatos têm ocupado cada vez maior espaço nas televisões e nos jornais. O “El País”, de Madrid, publicou logo a 17 de outubro uma impressionante fotorreportagem. No final de outubro, o “New York Times” assinalava a peculiaridade destas migrações, que invertem o habitual isolamento e secretismo agora trocados pela segurança e pela visibilidade que são emprestadas por grupos numerosos. E o “Guardian” dava conta do reforço militar na fronteira dos EUA com o México, que pode ter chegado aos dez mil soldados. No “Expresso” que amanhã chega às bancas, Clara Ferreira Alves também escreve sobre a caravana que passa.

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Rui Rio........

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