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Um governo com pouca cultura

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28.11.2018

Há três anos, em plena campanha eleitoral para as legislativas de 2015, o PS juntava em Lisboa 200 pessoas ligadas à cultura. Da música ao teatro, passando pelo cinema, artistas plásticos, realizadores e cantores encheram a sala para aplaudir o candidato que prometia um virar de página nas políticas culturais em Portugal.

Em matéria de cultura, António Costa tinha um legado em Lisboa, enquanto presidente da câmara. E isso dava esperança à elite cultural que o apoiava na corrida para Primeiro-ministro. O slogan vinha preparado de casa e António Costa vincou-o bem no discurso que fez: "Mais do que um Ministério da Cultura, precisamos de um Governo de cultura".

Três anos depois - e já que estamos numa fase de balanço - é seguro afirmarmos que esta é uma daquelas promessas que ficou por cumprir. Porque, de facto, mais importante do que ressuscitar o Ministério da Cultura - reduzido a uma secretaria de Estado nos quatro anos anteriores, com Passos Coelho - o país precisava de políticas culturais arrojadas, corajosas e, sobretudo, de um ministro com peso político e com o mínimo de cultura. Democrática, pelo menos. Neste capítulo, António Costa arrisca-se a ficar na história como o primeiro-ministro com o pior casting de sempre.

Três anos, três ministros. O primeiro, João Soares, saiu pela porta pequena depois de ter ido para o Facebook prometer umas bofetadas aos que o criticavam. Sobre cultura democrática, estamos conversados. Sobre o resto, pouco ou nada........

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