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“Um discurso quase messiânico para...”

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14.01.2018

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa falou ao país em 1 de Janeiro, na tradicional Mensagem de Ano Novo.
Foi um discurso carregado de subentendidos, de recados implícitos para os outros. Porque a responsabilidade nunca é de Sua Excelência. Nunca assume nada. Ele, que é o Chefe do Estado que acusa de falhar em diversas áreas da vida nacional, nunca tem culpa de coisa alguma. A culpa é sempre dos outros.
O Estado falha mas o seu líder máximo nunca falha, o que não deixa de ser paradoxal
Francamente não gostei do discurso, a não ser do ponto de vista literário, que não político, e não estou a gostar da atitude de um Presidente que fala demais, que reage a tudo o que mexe, sem qualquer reserva, sem contenção, nem a mínima discrição. Passados dois anos em Belém, Marcelo teima em não despir a pele de opinador televisivo. Já cansa ouvi-lo comentar, a propósito e a despropósito, desde que se levanta até que se deita.

Como alguém escrevia, há poucos dias, Marcelo transformou o P.R. num comentador diário, com palavra pronta sobre todos os temas, desde a influência dos raios gama no comportamento das margaridas, à qualificação das intervenções do Primeiro-ministro. Decorre daqui uma enorme pressão sobre o sistema político e uma excessiva dependência comunicacional do que possa ser em cada momento a opinião do P.R. Não é seguro que o prolongar desta situação seja bom para a democracia, ou salutar para a convivência democrática entre os diferentes........

© Correio do Minho